Já imaginou o evento dos sonhos, planejar cada detalhe por meses ou até anos e, na reta final, ver tudo desmoronar? Essa é a situação relatada por um grupo de pelo menos 13 mulheres que afirma ter sido prejudicado pelo decorador de festas Danilo Batista do Nascimento (imagem destacada).
Segundo as denúncias, Danilo firmou contratos para decoração de casamentos e outros eventos, recebeu pagamentos antecipados e, em diversos casos, deixou de responder às clientes ou desapareceu antes das datas das comemorações.
Os relatos apontam que os valores somados desse grupo de mulheres chegam a quase R$ 25 mil, referentes a diferentes contratos estabelecidos em cidades como Campina Grande, Esperança e Lagoa Seca. Mas é provável que o número de vítimas seja maior.
O jornalista Yago Fernandes também não conseguiu contato com o decorador Danilo do Nascimento. O espaço segue aberto para manifestações.
A reportagem teve acesso ao grupo de mensagens criado pelas próprias vítimas onde elas relatam situações semelhantes envolvendo prejuízos financeiros e dificuldades de contato.
Casamento prestes a acontecer
Estudante de Biomedicina, Isabelle Souto Farias, de 26 anos, residente em Recife, afirma ter fechado contrato em novembro de 2025 para a realização do próprio casamento, previsto para o início do próximo mês.
Ela relata ter contratado um serviço completo de decoração, orçado em aproximadamente R$ 8 mil, e diz ter realizado pagamentos antecipados que somam cerca de R$ 2.900, após solicitações de valores adicionais por parte do profissional.
“Meu cerimonial disse que ele [Danilo] não tinha comparecido a um outro casamento, não respondia mais ninguém e tinha sumido. Depois, ele entrou em contato falando que estava em falência e iria devolver o dinheiro, mas não deu prazo”, relatou.
A jovem afirma que não teve mais retorno desde o dia 23 de março.
“Não mandou nenhum valor até agora. Consegui outro decorador faltando um mês para o matrimônio. Foi desesperador”, lembra.
Isabelle assegura ainda que não registrou boletim de ocorrência devido à correria com a preparação do enlace, mas recorreu ao Procon, que informou dificuldades por falta de localização do suspeito.

Choro e desespero
A enfermeira Amanda Rocha, de 25 anos, contou que o problema ficou evidente no dia do próprio casamento, no mês passado.
Ela revelou que o contrato, no valor de R$ 2.800, foi assinado em novembro para decoração completa da igreja e da recepção.
Segundo Amanda, ela e o noivo tentaram contato com o decorador desde as 7h da manhã daquele dia, sem sucesso.
“Ligamos de vários celulares, mandamos mensagens e ele não respondia. Depois ele mudou a foto do WhatsApp e apagou o Instagram. Foi quando percebi que ele não iria aparecer”.
Ela descreve o impacto emocional do momento. “Chorei muito, me desesperei, fiquei sem chão. Era um sonho muito esperado”, disse.
Diante da situação, familiares e madrinhas precisaram ajudar na organização de última hora.
Amanda destaca que o decorador nunca cancelou oficialmente o serviço e enviou mensagem apenas no dia seguinte, prometendo devolução do dinheiro, o que não ocorreu. A enfermeira registrou boletim de ocorrência e ingressou com ação judicial.


Contrato não assinado e suspeitas
Outra noiva, que preferiu não se identificar, descreveu ter fechado contrato no final do ano passado para a realização do casamento, previsto para este ano. Ela informou que o valor pago foi de aproximadamente R$ 4 mil, referente à decoração completa da cerimônia e recepção.
Conforme o relato, o contrato foi enviado inicialmente por WhatsApp, mas o decorador não chegou a assinar formalmente, alegando que levaria o documento pessoalmente – o que nunca aconteceu.
A noiva afirma que começou a desconfiar após relatos de outras clientes sobre serviços não entregues.
“Uma noiva disse que ele entregou apenas parte da decoração. Foi quando comecei a ligar os pontos”, relatou.
Ela contou que tentou encerrar o contrato e solicitou distrato, mas o documento não foi assinado e a comunicação passou a ser cada vez mais rara. “Ele dizia apenas que ‘estava difícil’”.
Foram feitas promessas de devolução parcelada do dinheiro, mas nenhum valor foi ressarcido. Como o casamento ainda está previsto para setembro, ela afirma que não precisou alterar a data, mas teve dificuldades para contratar outro profissional.
“O prejuízo foi financeiro e emocional. Tivemos ansiedade, tivemos que abrir mão de outras coisas e trabalhar muito mais para cobrir o prejuízo”, relatou.

Até o momento, não há confirmação de investigação formal concluída sobre as denúncias, mas os registros de ocorrência já foram realizados e os casos devem ser analisados pelas autoridades policiais competentes.



